25 de novembro de 2016

Entendendo as Medidas e Especificações Técnicas (Parte IV)

COMPONENTES DIGITAIS

figura 5 6 7

Figura 5; Figura 6; Figura 7

Os componentes digitais, em especial os CD players merecem um artigo à parte para descrever quais as medidas relevantes na sua avaliação. Sua resposta de frequência, relação sinal / ruído, distorção e outros parâmetros tradicionais são bons o suficiente para fazer com que outros fatores que não aparecem bem caracterizados nestas medições, tais como jitter e linearidade nos bits menos significativos, sejam muito mais importantes para o resultado auditivo final.

Áudio Digital

Nesta segunda parte, vamos olhar para as medidas e especificações técnicas dos equipamentos digitais, em particular para os leitores de CD. Só com a introdução do CD, no início da década de 80, o áudio digital se tornou uma realidade comercial. A teoria básica já era conhecida há muito tempo, mas suas aplicações se restringiam a sistemas experimentais, usos em laboratórios e a sistemas de transmissão. O custo destes sistemas era muito alto e o uso comercial praticamente impossível.

Com a promessa do “som perfeito para sempre”, a introdução do CD foi uma completa revolução. Extremamente práticos e muito mais duráveis, os CD’s se impuseram como a melhor alternativa. Porém, para as pessoas acostumadas a ouvir os discos de vinil em um bom equipamento, havia sempre a sensação de que estava faltando alguma coisa ao som. Resposta extensa de frequência? Sim. Ausência de ruídos? Certamente. No entanto, algo sempre fez com que sentíssemos saudade dos velhos discos de vinil. O que seria?

Esta é uma pergunta ainda não respondida perfeitamente até hoje. O aperfeiçoamento sonoro dos CD’s seguiu uma trilha muito mais empírica do que gostam de admitir os responsáveis técnicos por estes progressos.

Todos os meios anteriores de registrar os eventos musicais eram analógicos. Para entender o que isto significa vamos acompanhar rapidamente o trajeto do sinal em uma gravação desde o instrumento até um disco de vinil. O instrumento dá origem a ondas sonoras no ar. Estas se propagam até o microfone que por meio do movimento de seu diafragma transforma a pressão sonora em onda elétrica, que é uma réplica das ondas sonoras. Todos os cabos, amplificadores e até mesmo con di cio nadores de sinais existentes entre o microfone e o disco tentarão manter esta relação com a onda sonora original. Poderão introduzir ruídos, distorções ou até modificações propositais. Porém, estarão sempre preservando uma versão da variação elétrica original até a cabeça de corte da matriz do disco, onde as ondas elétricas serão convertidas em movimento para criação dos sulcos. Já em um sistema digital, o sinal elétrico (réplica de nossa onda sonora) é convertido em números por meio de um conversor analógico / digital. Existem diversas técnicas de conversão e diversas formas de representação dos números gerados. Na forma mais comum de conversão, o sinal original é convertido em uma sequência de números que representa a intensidade da onda em um determinado instante. Quantas vezes a onda foi amostrada em 1 segundo é a nossa taxa de amostragem (96 kHz, por exemplo, representam 96.000 valores a cada um segundo). A quantidade de bits de resolução nos dá a precisão possível para a nossa representação destes valores instantâneos. Por exemplo: 14 bits representam 16.384 valores, 16 bits representam 65.536 valores e com 24 bits podemos representar 16.777.216 valores distintos. Estes valores, gerados pelo conversor analógico / digital e após sofrerem (ou não) processamentos intencionais para sua edição, são os valores que serão guardados pelos CD’s. Portanto o CD guarda uma série de números que serão lidos e posteriormente convertidos em uma onda elétrica por um conversor digital / analógico.

 

Fonte: Revista Audio Video Magazine – Setembro 2016

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