8 de agosto de 2016

Sistemas High End (O que realmente significa isto?)

Artigo por Luis Assib Zattar

Você talvez já se fez a pergunta deste artigo sem saber exatamente se sabia a resposta correta.

Nesses dias no Brasil, o termo áudio high end tem sido usado de maneira indiscriminada por vários consumidores, publicações, lojistas e importadores. Todos querem que “seus” equipamentos sejam classificados como tal, por status, para justificativa de preços, valor aparente ou simplesmente modismo.

O termo high end pode ser usado para várias categorias de produtos ou mesmo estabelecimentos e em comum todas trazem o conceito de luxo, sofisticação, exclusividade e alta performance. Podemos encontrar relógios, canetas, computadores e logicamente equipamentos de áudio e vídeo high end.

No escopo do que nos interessa neste artigo, o termo áudio e vídeo high end deveria categorizar os equipamentos que se destacam dos demais simples e puramente por sua capacidade de reproduzir com muito mais fidelidade e naturalidade do que os equipamentos comerciais convencionais.

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Áudio e vídeo high end não têm nada a ver com recursos ou facilidades, ou mesmo com a última tecnologia desenvolvida.

E embora não exatamente sinônimos, equipamentos high end normalmente são mais dispendiosos. Notem que o termo dispendioso não deve ser entendido como equivalente a “caro”, visto que este normalmente se aplica a algo que julgamos não valer o preço cobrado.

Um equipamento verdadeiramente high end, mesmo sendo mais (ou muito mais) dispendioso do que o seu equivalente mid-fi, normalmente vale cada centavo pago. O problema é que muitos se classificam ou são classificados com o termo sem real merecimento, muitas vezes simplesmente pela melhor aparência de acabamento ou construído com os melhores materiais. Ou seja, somente um rostinho bonito!

Então, se o que realmente importa é a performance, como identificar e escolher os equipamentos que mereçam a classificação de high end, e como analisar seu desempenho?

Bem, há alguns aspectos básicos sobre o fabricante que podem nos fornecer algumas pistas:

O tempo de mercado, por exemplo. Há quantos anos a empresa vem produzindo equipamentos high end de forma consciente, produtos inovadores, que sevem como verdadeiros benchmarks no mercado?

Análises e testes consistentes em publicações idôneas, feitas por analistas competentes e independentes (Hi-Fi News, Hi-Fi Critic, Stereophile e The Absolute Sound, entre outras, além do fórum de discussão Audio Asylum) é outra boa indicação, especialmente se a marca dos produtos em vista recebe sistematicamente bons vereditos.

Não é muito aconselhável investir em equipamentos de uma marca nova, que receberam boas críticas em um ou duas publicações, e em apenas um ou dois produtos. Pior, o único entusiasta e avalista da marca é o vendedor ou representante e este não tem o produto para demonstração!

Marcas renomadas, com produtos bem avaliados, e com um histórico longo de excelentes produtos high end são uma escolha muito mais sensata.

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Mas o melhor mesmo é você tirar suas próprias conclusões, ser o juiz final do produto ou sistema que está pensando adquirir.

E quando você analisar o seu futuro sistema de áudio e vídeo, há alguns pontos que precisa prestar atenção para fazer a escolha correta:

  1. O equilíbrio geral do som é bom, os instrumentos e vozes soam naturais, reais, sem predominância de uma faixa de frequências sobre outras?
  2. Os graves não soam anêmicos, ou retumbantes, não há sobreposição sobre outras frequências, as notas soam limpas e articuladas? É possível distinguir claramente o som do bumbo da bateria das notas do contrabaixo, os tímpanos de orquestra possuem aquele som metálico característico, possuem bom ataque e velocidade, são claramente delineados?
  3. Os médios devem ser líquidos, doces, e acariciar seus ouvidos, as vozes devem ser naturais, sem nasalização ou estridência e os sons instrumentais devem ter seus timbres preservados, com bom corpo e presença, e não apagados e distantes. Devem soar tão naturais como o violão acústico que aquele seu amigo insiste em tocar nas reuniões em que rola aquele MPB nostálgico, aquele sambinha improvisado!
  4. E os agudos? Ah, estes devem ser suaves e extensos, sem nenhum traço de metalização ou sibilância, devem ficar no ar, etéreos, pairando e esvanecendo lentamente em um palco infinito…
  5. Se o equilíbrio tonal é bom, meio caminho está andado. Mas não é tudo! Por exemplo, mini-monitores de estúdio possuem bom equilíbrio e timbre, mas, por utilizarem woofers de pequenas dimensões, não apresentam a extensão e potência acústica necessárias nas baixas frequências para uma reprodução adequada dos graves. Por isso, se seu espaço permitir, escolha caixas maiores, pois normalmente quando bem posicionadas (assunto para um outro artigo dedicado sobre caixas), possuem mais impacto e melhor integração dos graves com o subwoofer, se presente.

Mas há mais, muito mais:

  1. Dinâmica: Há uma boa gradação de volume na música, do pianíssimo ao fortíssimo, como quando estamos ouvindo uma banda ou orquestra ao vivo? O sistema soa livre e definido, tanto em baixo quanto em alto volume, a orquestra ou banda não soa congestionada quando todos estão tocando a pleno vapor? Os sons mais baixos, pequenos detalhes, são reproduzidos sem serem encobertos quando em presença de vozes ou instrumentos gravados em maior volume?
  2. Soundstage ou Imagem Tridimensional: conceito mais difícil, pode ser subdividido em vários quesitos como largura, profundidade, formato aparente e mesmo altura, a sensação de que cada voz ou instrumento está em seu tamanho real. A reprodução espacial parece real? Se você fechar os olhos, consegue “ver” onde cada instrumento está localizado? Há a sensação de tridimensionalidade nas vozes e instrumentos? Logicamente esta sensação depende muito da qualidade da gravação! Sugiro os CDs demo da Som Maior, que possuem faixas extremamente bem gravadas, possibilitando uma apreciação detalhada deste aspecto da reprodução bem como de outros como dinâmica e timbre.
  3. Ambiência e detalhamento: um bom sistema high end permite-nos ouvir sons que sequer imaginávamos estarem gravados, detalhes que surgem nos silêncios  das notas, sons nos dedos deslizando nos instrumentos, a sensação de tamanho e tipo do ambiente da gravação (pequeno clube, sala de concerto, igreja, estádio), tudo aparece de repente, fazendo a audição tomar nossa atenção e nos proporcionando um prazer até então desconhecido!
  4. Naturalidade: Talvez no fundo seja esta a qualidade mais importante, e por isso é a mais perseguida por projetistas e fabricantes realmente dedicados em lhe oferecer uma experiência única, que vai muito além de impressionar com detalhes, por vezes exagerados em equipamentos demasiadamente analíticos e artificialmente exagerados.

Ouvir por horas sem se cansar, curtindo cada obra, querendo redescobrir cada gravação da sua coleção seja talvez o mais difícil para um sistema poder lhe oferecer, mas é sem dúvida o mais gratificante. São quando as emoções afloram e nos deixamos levar pela música…

A maioria destes conceitos podem ser transportados para o mundo da imagem, onde cores vibrantes com alto impacto visual são certamente impressionantes com todos seus detalhes invisíveis no nosso mundo real, com a nossa visão a olho desarmado, mas este não é o único nem o mais importante aspecto. A pureza da imagem devida à ausência de artificialidades, o tom correto de pele, a imagem sem “grãos” de fundo e outros detalhes formam o todo conhecido como Naturalidade da Imagem, aquilo que diferencia um projetor comercial de um projetor high end.

 

Fonte: Revista Som Maior – Ano 01 – Edição 03 – Dezembro 2012

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